A crise do coronavírus está afetando diversas camadas sociais. Profissionais da saúde estão trabalhando a todo vapor. No entanto, o conhecimento técnico dessa classe parece que não está sendo valorizado, como é o caso de um enfermeiro que trabalha 12 horas por dia e ganha R$ 80.
Joseildo dorme do lado de fora da casa de sua mãe como precaução para não contaminá-la, que já é uma senhora de idade. De vez em quando, ele dá um abraço ou beijo na mãe, no entanto, sabe que o carinho pode ser perigoso para a saúde. O terraço de sua casa é gelado, a rede em que dorme é revezada com o colchão para evitar que sua mãe de 74 anos seja contaminada, o que poderia ser muito complicado por ela fazer parte do grupo de risco, pois já sofreu um infarto, tem asma e pressão alta.
Desde o momento que se deu conta do risco, passou a dormir afastado, porque não tinha um lugar para onde ir. O salário de sua categoria profissional não é suficiente nem para pagar o aluguel de um quarto simples. Joseildo não tem interesse em dormir em hotel nem casa, somente deseja um lugar para evitar o contágio. Diariamente ele está trabalhando em uma UPA (Unidade de Pronto de Atendimento) no estado de Paraíba, em Campina Grande.
Durante o mês, 13 plantões fazem parte do expediente. O valor no final do mês chega a R$ 1.045,00, sendo o líquido de R$ 946,00. Por cada plantão o valor sai por R$ 80,00. Ele tem as obrigações familiares com o seu filho que recebe pensão e com as despesas de casa para ajudar a mãe. Na casa ainda moram duas irmãs e duas sobrinhas. Somente em um quarto dormiam Joseildo, a mãe e uma irmã por causa do espaço limitado.
De acordo com a secretária de saúde do estado, os profissionais da área médica têm à disposição hospedagens para ficarem isolados de seus familiares. Joseildo poderá aproveitar o benefício necessário, pois trabalha na linha frente e sempre recebe notícias de algum caso do coronavírus, ou pelo menos de suspeitos.